quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Estar doente

já se sabe, não dá com nada.

estar doente em tempo da gripe da moda é o que se pode chamar de "raixparta a sorte"...

é oficial, o pânico tomou o país de assalto e por cá ficou, qualquer sintoma (que até aqui não era mais que "um-qualquer-sintoma-de-qualquer-outra-coisa-sem-importância-de-maior) que se aproxime dos já anunciados da dita cuja é sinal de alarme.

ora, dito isto, também eu me alarmei.

amarelado na triagem, mascara na cara e sala de isolamento.

sozinho.

depois chegou um. e outro.

3. um tipo que passasse musica e tínhamos um baile de máscaras.

nada de gripe a, b ou c, toda a semana em casa a conselho do médico, sem trabalhar. e sem ter noticias do Sporting, a conselho de alguns amigos.

obrigado pelas mensagens de melhoras ;)

domingo, 8 de novembro de 2009

A rua

está sozinha.

Abandonada de virtudes E de rostos


A rua perde-se no traço e na curva Funde-se na sombra

porque

a Rua já não se importa A rua escreve

passos de memória e de gentes



Nua de sentido Vazia de cor Gasta de vida

meus senhores Apresento-lhes a rua

sem praça sem número Sem graça

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Mergulhou

de braços abertos

peito feito e fez-se ao mar

fundo, até onde se permitiu Até que a coragem cedeu


até ao Medo não se dizer seu

e Ele

não ser mais Eu

terça-feira, 13 de outubro de 2009

de volta à escola

e às inocências, divertidas inocências.

Que idade tens, pergunto eu

seis diz ele

mentira! cinco, diz a turma

seis, fiz seis ontem em casa!

não comecei de inicio, mas o meu inicio começa agora.

não sei por quanto tempo, não sei se até ao fim. se gosto, se gostam.

sei uma coisa. é bom estar de volta ;)

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Deste-me saudade

não mais que ontem nem amanha

não mais que todos os dias em que te procuro

à mesa

sentado a olhar

para onde não estás

Deste-me saudade. porque pensar na partida é caminhar até ao precipício da mágoa

e do vazio

Deste-me mais saudade quando te falei e não te ouvi

Quando precisei de um motivo para calar a dor e os argumentos faltaram

PORQUE SIM.

Porque quis que fizesse sentido sem o procurar, sem o ter.

Quis dizer-te
que o tempo corre devagar
que o tempo tem tempo

mas calei-me. mas deixei-me estar.
deixei de acreditar antes de falar

E o tempo calou.

Porque nos foi roubado.

Porque desapareceu o abraço, e não me cruzo em ti.

Quis pois, negar-me. Nem nisso me aceitei



Quis chamar-te e esperar-te de volta, esperar a tua voz cansada de mais um dia.

Mas a voz. A voz.

A voz não tem lugar neste quarto, nesta casa imensa e vazia de ti

Quis ouvir-te perguntar Como estás Como corre

e orgulhar-te na resposta. sorrir-te na resposta.


Deste-me saudade. Não é de agora. não é.

mas de todos estes malditos dias em

que te recordo e

não te deixo apagar

não te deixo partir

não te deixo não te deixo

nestes negros, malditos negros e longos dias

em que te olho na indiferente moldura e

me enches de saudade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

pensamos

e pensamos no plural, porque arcar com a afirmação pesa.

e pensamos e pensamos e não nos calamos
não olhamos à volta, não olhamos não olhamos

e só vemos que nada está e nada é aquilo que é. e negamos.

e rejeitamos.

e troçamos da Puta de sorte a minha! e outros que bem estão e eu que

mal me sinto.


eu que mal respiro e eu que mal me vejo

reencontrar a dúvida e dizê-la certeza com um amargo de boca


mais não é que o produto de um pensamento que se esgota nas palavras e se esgota em mim;

e pensamos.

pensamos,


há algo.

novo. neste chão. está mais alto, caminha-se de vertigens e de viagens por desvendar.

caminha-se de uma varanda para outra. de um para outro. bar, onde a letra

flui numa

voz de anjo sem asas sem nada.

onde a filha de alguém aproxima o que não está ao alcance do mais complexo pensamento.


onde o pregão ecoa um convite que afasta a noite e junta os imprevisíveis

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

voltei ao topo da montanha

uma de muitas que imaginei

em tempos de puto

E grande que era a coragem

e a montanha

ali imponente e adormecida

que me fascinava me fazia desenhar ventos e

a ela me fazer Homem



pouco mais que puto Homem agora

e eu e a montanha e

a audácia destas mãos que ja cresceram

e ganharam rugas que

não sonham mais do mesmo.

ela e eu. os dois aqui. parte de mim esteve

sempre aqui Se alguma vez daqui saí